Teste de vedação

Teste de vedação

Para garantir a efetividade da proteção respiratória dos respiradores N95, os operadores são submetidos ao teste de vedação. Este teste, que pode ser quantitativo ou qualitativo, é realizado para selecionar equipamentos de proteção respiratória (EPR) de tamanho e formato adequados ao rosto de cada usuário. Para isso, os testes investigam possíveis falhas de vedação entre o respirador e a face do operador, que resultarão em vazamentos de ar e consequentemente a exposição do operador ao agente nocivo a saúde, mesmo com a utilização dos respiradores [1,2].

No Brasil, a Instrução Normativa No. 1 de 15 de agosto de 1994, instituída pelo Ministério do Trabalho e Emprego, torna obrigatória a incorporação do Programa de Proteção Respiratória em todas as instituições de saúde. O programa deve conter medidas e práticas documentadas sobre o teste de vedação e os responsáveis pela sua realização, assim como a avaliação médica e treinamento dos operadores para utilização dos EPR [3].

O guia para incorporação do Programa de Proteção Respiratória, seleção e uso de respiradores foi publicado em 2002 pelo Ministério do Trabalho e Emprego[4] e encontra-se disponível no link.

Os testes de vedação possuem caráter quantitativo ou qualitativo. Os testes quantitativos, realizados geralmente no uso de respiradores que recobrem todo o rosto, investigam possíveis vazamentos de ar através de equipamentos específicos. Por outro lado, testes qualitativos, empregados na validação de uso de respiradores semi-faciais (que recobrem somente boca e nariz), utilizam substâncias químicas que promoverão irritabilidade ou alterações no olfato e/ou paladar, como a sensação de sabor doce ou amargo quando houver falha de vedação [2] (Figura 1).

Figura 1. Esquemática dos testes de vedação qualitativos e quantitativos de equipamentos de proteção respiratória.

Os testes de vedação qualitativos para os respiradores N95 são vendidos em kits comercias e possuem manuais de instrução que devem ser seguidos estritamente durante o teste. Esses kits seguem as normas padrão de proteção respiratória proposto pela Occupational Safety and Health Administration – OSHA, registro 29 CFR 1910:134, dos órgãos governamentais americanos.

Normalmente, os kits comercias são compostos por um capuz, dois nebulizadores e a substância química teste que pode ter sabor doce ou amargo e será utilizada para detectar falhas na vedação.

Veja o vídeo de instruções do kit da 3M para teste de vedação

Resumidamente, os passos do teste são:

  1. Confirmar que o operador está sem fumar, comer, beber ou mascar chicletes a pelo menos 15 minutos;
  2. O operador deverá colocar o capuz, sem o respirador, para determinar a sua sensibilidade à substância teste;
  3. A substância teste é diluída e preparada de acordo com as orientações do fabricante;
  4. A solução contendo a substância teste será liberada dentro do capuz com o auxílio do nebulizador. Em intervalos de 10 liberações da solução teste pelo nebulizador, pergunta-se ao operador se ele sente o sabor doce ou amargo. Se sim, o teste terá prosseguimento. Caso contrário, os passos de sensibilização são repetidos até que o operador sinta o sabor provocado pela substância teste;
  5. Quando o operador sentir o sabor da substância teste, este removerá o capuz e colocará o respirador de acordo com as instruções recomendadas;
  6. O processo de liberação da substância teste pelo nebulizador será repetido, submetendo o operador a situações diferentes como conversar por 1 minuto ou simular o caminhar durante a liberação da substância teste pelo nebulizador, dentre outras ações, como orientado pelo fabricante;
  7. O operador é aprovado se, com o uso do respirador e durante todos os testes de fala e caminhada, não sentir o sabor da substância teste;
  8. Caso o operador sinta o sabor da substância teste, o teste deverá ser repetido uma segunda vez em um dia diferente. Se mesmo repetindo o teste, o operador ainda sentir o sabor da substância teste, este estará reprovado no teste de vedação.

Pontos importantes do teste de vedação [2]

  1. Respiradores apropriados devem ser selecionados de acordo com a avaliação de risco ao qual o operador será exposto;
  2. O respirador que não se adequada à face do operador, perde seu efeito protetor e o coloca em risco de exposição ao agente nocivo à saúde;
  3. Os testes de vedação são de obrigação do empregador/instituição em que o operador exerce sua função, assim como prover treinamentos para uso dos respiradores;
  4. O empregador deve garantir que o operador está com a saúde apta para a utilização dos respiradores;
  5. O teste de vedação deve ser realizado anualmente;
  6. Caso o operador passe por procedimentos odontológicos de grande porte, cirurgia facial ou tenha ganho de peso significativo, o teste de vedação deve ser realizado novamente;
  7. O teste de vedação não deve ser confundido com o teste de verificação de vedação que é realizado pelo operador antes da rotina de trabalho;
  8. Operadores devem remover maquiagem, barbas e outros pelos faciais, evitando que estes rompam a barreira de vedação do respirador com a face do operador.

Referências

  1. Tornoli, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA: RECOMENDAÇÕES SELEÇÃO E USO DE RESPIRADORES; São Paulo, 2002;
  2. OSHA; United States Department of Labor Transcript for the OSHA Training Video Entitled Respirator Fit Testing Available online: https://www.osha.gov/video/respiratory_protection/fittesting_transcript.html.
  3. Gregorcic, A.; Vieira, A.V.; Paz, C.R.P.; Pinto, D.M.; Souza, D.; Bergsten, E.; Pereira, F.V.; Marcomini, L.; Vicente, M.G.; Verotti, M.P.; et al. Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde; 2006;
  4. Torloni, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. Programa de proteção respiratória – recomendações e uso de respiradores; 2002;