Como remover a N95

Como remover a máscara N95?

A desparamentação é um dos procedimentos mais críticos para o profissional de saúde, pois constitui um momento de grande risco de infecção. Todo e qualquer procedimento de desparamentação deve ser realizado devagar, sem pressa, com respirações leves e com concentração. É também o momento que o profissional de saúde está mais cansado, e por isso, toda a atenção deve ser voltada para o procedimento, evitando distrações e conversas paralelas.

(i) Utilize um par de luvas novo (certifique-se que suas mãos e antebraços estão higienizados antes de colocar o novo par). Isso garantirá que você não irá transferir contaminantes para seu cabelo ou sua cabeça na hora de retirar a máscara;

(ii) Incline seu corpo levemente para frente;

(iii) É importante que você não encoste na frente do respirador;

(iv) Com as luvas novas, pegue somente na parte de traz dos elásticos (a parte que esteve coberta pela touca). É importante que você NÃO pegue nas laterais dos elásticos, próximo ao respirador, pois essas partes podem estar contaminadas;

(v) Retire primeiramente o elástico da nuca e em seguida o elástico da cabeça. Exerça uma tração nos elásticos para que a máscara não pule do rosto;

(vi) Remova a máscara pelos elásticos e descarte imediatamente no lixo infectante;

(vii) Remova as luvas conforme indicado e descarte as luvas em lixo infectante;

(viii) Higienize suas mãos com água e sabão ou álcool gel, imediatamente após esse procedimento.

Como colocar a N95

Faça o download do poster para impressão aqui

(i) Tenha um pequeno espelho disponível para facilitar a colocação da máscara;

(ii) Certifique-se que suas mãos e antebraços estão higienizados;

(iii) Posicione o respirador sobre a palma da mão, com o lado côncavo voltado para cima;

(iv) Posicione o respirador sobre o rosto, na região do nariz e boca e prenda os elásticos atrás da cabeça. Posicione o elástico superior acima das orelhas e o inferior na região da nuca. Os elásticos do respirador não devem estar torcidos ou sobrepostos, pois isso pode comprometer a vedação do respirador;

(v) Pressione a haste metálica (ponte nasal) na região do osso nasal, ajustando o respirador ao rosto, para que vede da melhor forma possível. Utilize ambas as mãos, para garantir que a mesma força seja aplicada em ambos os lados;

(vi) Faça o teste de pressão negativa: cubra o máximo que puder do respirador com as mãos e exale e inspire algumas vezes. Se a colocação estiver correta, a máscara deve movimentar, ceder levemente;

(vii) Avalie possíveis escapes de ar;

(viii) Caso ainda existam escapes de ar ou o teste de pressão tenha falhado, tente ajustar a máscara novamente e refaça os passos (v) e (vi).

Obs.: Pessoas com cabelo comprido devem prender os fios em forma de coque ou rabo de cavalo, desde que o rabo não fique preso entre o elástico e cabeça. Brincos não devem ser utilizados, pois eles podem enroscar nos elásticos na hora de colocar e retirar a máscara. Pessoas com maquiagem devem fazer a remoção da mesma, bem como aqueles que possuem barba devem se barbear com lâmina de barbear, mantendo o rosto liso.

Lembre-se, o teste de vedação de máscaras é obrigatório!

Teste de vedação

Teste de vedação

Para garantir a efetividade da proteção respiratória dos respiradores N95, os operadores são submetidos ao teste de vedação. Este teste, que pode ser quantitativo ou qualitativo, é realizado para selecionar equipamentos de proteção respiratória (EPR) de tamanho e formato adequados ao rosto de cada usuário. Para isso, os testes investigam possíveis falhas de vedação entre o respirador e a face do operador, que resultarão em vazamentos de ar e consequentemente a exposição do operador ao agente nocivo a saúde, mesmo com a utilização dos respiradores [1,2].

No Brasil, a Instrução Normativa No. 1 de 15 de agosto de 1994, instituída pelo Ministério do Trabalho e Emprego, torna obrigatória a incorporação do Programa de Proteção Respiratória em todas as instituições de saúde. O programa deve conter medidas e práticas documentadas sobre o teste de vedação e os responsáveis pela sua realização, assim como a avaliação médica e treinamento dos operadores para utilização dos EPR [3].

O guia para incorporação do Programa de Proteção Respiratória, seleção e uso de respiradores foi publicado em 2002 pelo Ministério do Trabalho e Emprego[4] e encontra-se disponível no link.

Os testes de vedação possuem caráter quantitativo ou qualitativo. Os testes quantitativos, realizados geralmente no uso de respiradores que recobrem todo o rosto, investigam possíveis vazamentos de ar através de equipamentos específicos. Por outro lado, testes qualitativos, empregados na validação de uso de respiradores semi-faciais (que recobrem somente boca e nariz), utilizam substâncias químicas que promoverão irritabilidade ou alterações no olfato e/ou paladar, como a sensação de sabor doce ou amargo quando houver falha de vedação [2] (Figura 1).

Figura 1. Esquemática dos testes de vedação qualitativos e quantitativos de equipamentos de proteção respiratória.

Os testes de vedação qualitativos para os respiradores N95 são vendidos em kits comercias e possuem manuais de instrução que devem ser seguidos estritamente durante o teste. Esses kits seguem as normas padrão de proteção respiratória proposto pela Occupational Safety and Health Administration – OSHA, registro 29 CFR 1910:134, dos órgãos governamentais americanos.

Normalmente, os kits comercias são compostos por um capuz, dois nebulizadores e a substância química teste que pode ter sabor doce ou amargo e será utilizada para detectar falhas na vedação.

Veja o vídeo de instruções do kit da 3M para teste de vedação

Resumidamente, os passos do teste são:

  1. Confirmar que o operador está sem fumar, comer, beber ou mascar chicletes a pelo menos 15 minutos;
  2. O operador deverá colocar o capuz, sem o respirador, para determinar a sua sensibilidade à substância teste;
  3. A substância teste é diluída e preparada de acordo com as orientações do fabricante;
  4. A solução contendo a substância teste será liberada dentro do capuz com o auxílio do nebulizador. Em intervalos de 10 liberações da solução teste pelo nebulizador, pergunta-se ao operador se ele sente o sabor doce ou amargo. Se sim, o teste terá prosseguimento. Caso contrário, os passos de sensibilização são repetidos até que o operador sinta o sabor provocado pela substância teste;
  5. Quando o operador sentir o sabor da substância teste, este removerá o capuz e colocará o respirador de acordo com as instruções recomendadas;
  6. O processo de liberação da substância teste pelo nebulizador será repetido, submetendo o operador a situações diferentes como conversar por 1 minuto ou simular o caminhar durante a liberação da substância teste pelo nebulizador, dentre outras ações, como orientado pelo fabricante;
  7. O operador é aprovado se, com o uso do respirador e durante todos os testes de fala e caminhada, não sentir o sabor da substância teste;
  8. Caso o operador sinta o sabor da substância teste, o teste deverá ser repetido uma segunda vez em um dia diferente. Se mesmo repetindo o teste, o operador ainda sentir o sabor da substância teste, este estará reprovado no teste de vedação.

Pontos importantes do teste de vedação [2]

  1. Respiradores apropriados devem ser selecionados de acordo com a avaliação de risco ao qual o operador será exposto;
  2. O respirador que não se adequada à face do operador, perde seu efeito protetor e o coloca em risco de exposição ao agente nocivo à saúde;
  3. Os testes de vedação são de obrigação do empregador/instituição em que o operador exerce sua função, assim como prover treinamentos para uso dos respiradores;
  4. O empregador deve garantir que o operador está com a saúde apta para a utilização dos respiradores;
  5. O teste de vedação deve ser realizado anualmente;
  6. Caso o operador passe por procedimentos odontológicos de grande porte, cirurgia facial ou tenha ganho de peso significativo, o teste de vedação deve ser realizado novamente;
  7. O teste de vedação não deve ser confundido com o teste de verificação de vedação que é realizado pelo operador antes da rotina de trabalho;
  8. Operadores devem remover maquiagem, barbas e outros pelos faciais, evitando que estes rompam a barreira de vedação do respirador com a face do operador.

Referências

  1. Tornoli, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA: RECOMENDAÇÕES SELEÇÃO E USO DE RESPIRADORES; São Paulo, 2002;
  2. OSHA; United States Department of Labor Transcript for the OSHA Training Video Entitled Respirator Fit Testing Available online: https://www.osha.gov/video/respiratory_protection/fittesting_transcript.html.
  3. Gregorcic, A.; Vieira, A.V.; Paz, C.R.P.; Pinto, D.M.; Souza, D.; Bergsten, E.; Pereira, F.V.; Marcomini, L.; Vicente, M.G.; Verotti, M.P.; et al. Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde; 2006;
  4. Torloni, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. Programa de proteção respiratória – recomendações e uso de respiradores; 2002;

Uso estendido e reutilização da máscara N95

Uso estendido e reutilização da máscara N95

A máscara N95 mais comumente utilizada (Figura 1 acima) é um item descartável. Porém, em situações de pandemia, os órgãos listados abaixo (Anvisa e CDC) emitiram pareceres técnicos a respeito da implementação de políticas de reutilização e uso estendido que, de acordo com esses órgãos, podem ser estabelecidas pelos profissionais que gerenciam o programa respiratório de cada instituição, em consulta com órgãos oficiais de saúde.  Algumas informações sobre essas políticas podem ser encontradas nos links abaixo:

Anvisa – Norma Técnica 05/2020

Center for Disease Control and Prevention – Recommended guidance for extended use and limited reuse of N95 filtering facepiece respirator

3M –Reuso de Respiradores Descartáveis

É importante que pesquisas continuem sendo desenvolvidas a respeito da manutenção da funcionalidade e mitigação de risco desses respiradores em políticas de uso estendido e reutilização.

Por definição, o uso estendido de respiradores N95 consiste na utilização do mesmo respirador por repetidos encontros de contato próximo com vários pacientes, sem trocar o respirador entre esses encontros [1].

É imprescindível que a instituição utilize os controles hierárquicos para eliminar exposições, alterar controles de engenharia e administrativos e priorizar o uso de EPIs baseado no risco biológico, para que exista utilização racional dos mesmos, principalmente em situações de epidemias de infecções respiratórias.

Em casos de escassez de EPIs, é preferível que o uso do respirador seja mais prolongado do que ele seja reutilizado.

Independente da política de uso, é primordial que os profissionais de saúde conheçam as limitações desses EPIs, que evitem tocar na máscara e pratiquem a frequente higienização das mãos. Se utilizado de forma incorreta, a máscara N95 pode se tornar grande fonte de infecção, pois partículas contaminam a superfície externa e o profissional de saúde que não higieniza as mãos e toca na máscara com frequência acaba levando o agente infeccioso às mucosas.

Referências

  1. Center for Disease Control and Prevention Pandemic planning: Recommended Guidance for Extended Use and Limited Reuse of N95 Filtering Facepiece Respirators in Healthcare Settings Available online: https://www.cdc.gov/niosh/topics/hcwcontrols/recommendedguidanceextuse.html#ref10.

Quando descartar a N95

Quando descartar a máscara N95?

(i) Após cada uso;

(ii) Após no máximo 8 horas de uso ininterrupto;

(iii) Após trabalho com procedimentos que envolveram a geração de aerossóis;

(iv) Após qualquer contato do respirador com sangue, secreções respiratórias ou qualquer outro fluído corpóreo de pacientes;

(v) Se houver qualquer dano na máscara ou dificuldade de se respirar durante o uso;

(vi) De acordo com as orientações do fluxo de trabalho do seu hospital – como por exemplo, entre pacientes ou entre alas hospitalares.

Vide informações sobre uso estendido.

Máscaras N95 ou PFF-2

Máscaras N95 ou PFF-2 (PFF2 é equivalente à N95) são respiradores certificados para filtração de partículas. Esse EPI filtra pelo menos 95% de partículas veiculadas pelo ar que possuam pelo menos 0.3 µm de tamanho, mas não é resistente a óleo (Figura 1). Essas máscaras são capazes de filtrar todos os tipos de partículas, incluindo bactérias e vírus.  É uma barreira individual que cobre o nariz e a boca, confere vedação adequada e funciona como um filtro, retendo contaminantes atmosféricos e aerossóis. Máscaras de filtração superiores também existem, como as N99, N100/PFF-3, porém a máscara N95 é a recomendação mínima e a mais utilizada no trabalho com agentes microbiológicos [1].

A presença de barba, cicatrizes faciais ou maquiagem impedem a utilização deste respirador. Pessoas com maquiagem, barba ou pelos faciais devem retirá-los para poder utilizar essa máscara [2,3]. Além do mais, nem todas as pessoas conseguem fazer uso desse tipo de respirador devido a presença de condições médicas que dificultem a respiração. Assim, recomenda-se avaliação médica antes do uso. Algumas máscaras N95 vem com válvulas que facilitam a respiração, estas possuem o mesmo nível de proteção de máscaras N95 sem válvula. Porém, esses respiradores com válvula não devem ser utilizados quando há a necessidade de campo estéril no paciente, por exemplo, campo cirúrgico, pois o ar exalado não é filtrado.

O teste de vedação de máscaras  é obrigatório e deve ser repetido anualmente ou toda vez que houver troca de modelo de máscara e mudanças significativas na forma do rosto do usuário [3]. Esse teste tem como objetivo verificar se a máscara tem encaixe de vedação suficiente no rosto do indivíduo para garantir a segurança do profissional que a utiliza.

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1. Respiradores do tipo N95/PFF-2 da marca 3M.

Tópicos abaixo:

Recomendações gerais do uso e conservação das máscaras N95

(I) Máscaras novas devem ser armazenadas em locais livre de sujidades, insetos, umidade, calor ou frio excessivo. Obedeça às recomendações do fabricante quanto à conservação das máscaras;

(II) Só utilize máscaras N95 certificadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego;

(III) Inspecione visualmente a máscara antes de colocá-la. Sua integridade não pode estar comprometida. Os elásticos e o material da ponte nasal devem estar funcionais e não danificados. Máscaras sujas, úmidas, rasgadas, amassadas ou com vincos devem ser imediatamente descartadas;

(IV) NÃO utilize uma máscara cirúrgica abaixo da N95, isso prejudicará seriamente o funcionamento da mesma, impedindo a vedação adequada da máscara N95 ao rosto do profissional. Garanta que você fez e passou no teste de vedação e que sabe colocá-la corretamente. Esses procedimentos garantirão sua proteção;

(V) Não é necessário utilizar uma máscara cirúrgica sobre a N95, pois a mesma não irá trazer benefícios de proteção e ainda constituirá em desperdício do EPI. Se o objetivo é diminuir a contaminação da superfície da máscara, utilize um protetor/visor facial;

(VI) NÃO utilize mais de uma máscara N95 ao mesmo tempo, isso irá prejudicar seriamente o funcionamento da mesma. Garanta que você fez e passou no teste de vedação e que sabe colocá-la corretamente. Esses procedimentos garantirão sua proteção;

(VII) NÃO utilize maquiagem no rosto, a mesma altera a vedação da máscara;

(VIII) NÃO utilize brincos, pois os mesmos podem engatar nos elásticos, além de servirem como foco de contaminação;

(IX) Pêlos faciais e barba impedem a correta vedação da máscara. Os mesmos devem ser retirados com lâmina de barbear, para deixar o rosto liso;

(X) Recomenda-se que pessoas com cabelos longos façam um coque na altura do elástico superior. Rabos de cavalo não são recomendados pois podem ficar presos no elástico da máscara, entre o pescoço e o elástico;

(XI) Após colocação, adequação da máscara e início do trabalho, jamais puxar a mesma do rosto de maneira a afastá-la da face, pois dessa forma a vedação da mesma será rompida;

(XII) Se necessário um leve ajuste da máscara para conforto ou vedação, utilize um par de luvas novo e descarte as luvas no lixo infectante, imediatamente após o ajuste;

(XII) Jamais encoste na parte de dentro do respirador. Caso isso ocorra acidentalmente, descarte a máscara e coloque outra;

(XIV) O teste de vedação é obrigatório;

(XV) Pessoas com cicatrizes faciais profundas podem ter a vedação da máscara comprometida. O teste de vedação poderá certificar se isto ocorre ou não;

(XVI) Descarte a máscara se houver qualquer contato do respirador com sangue, secreções respiratórias ou qualquer outro fluído corpóreo de pacientes;

(XVII) Descarte a máscara se houver qualquer dano ou dificuldade de se respirar durante o uso;

(XVIII) Algumas pessoas podem não conseguir utilizar a máscara devido a problemas de saúde, por isso, um avaliação médica é essencial.

Teste de vedação

Para garantir a efetividade da proteção respiratória dos respiradores N95, os operadores são submetidos ao teste de vedação. Este teste, que pode ser quantitativo ou qualitativo, é realizado para selecionar equipamentos de proteção respiratória (EPR) de tamanho e formato adequados ao rosto de cada usuário. Para isso, os testes investigam possíveis falhas de vedação entre o respirador e a face do operador, que resultarão em vazamentos de ar e consequentemente a exposição do operador ao agente nocivo a saúde, mesmo com a utilização dos respiradores [7,8].

No Brasil, a Instrução Normativa No. 1 de 15 de agosto de 1994, instituída pelo Ministério do Trabalho e Emprego, torna obrigatória a incorporação do Programa de Proteção Respiratória em todas as instituições de saúde. O programa deve conter medidas e práticas documentadas sobre o teste de vedação e os responsáveis pela sua realização, assim como a avaliação médica e treinamento dos operadores para utilização dos EPR [9].

O guia para incorporação do Programa de Proteção Respiratória, seleção e uso de respiradores foi publicado em 2002 pelo Ministério do Trabalho e Emprego[10] e encontra-se disponível no link.

Os testes de vedação possuem caráter quantitativo ou qualitativo. Os testes quantitativos, realizados geralmente no uso de respiradores que recobrem todo o rosto, investigam possíveis vazamentos de ar através de equipamentos específicos. Por outro lado, testes qualitativos, empregados na validação de uso de respiradores semi-faciais (que recobrem somente boca e nariz), utilizam substâncias químicas que promoverão irritabilidade ou alterações no olfato e/ou paladar, como a sensação de sabor doce ou amargo quando houver falha de vedação [8] (Figura 1).

Figura 1. Esquemática dos testes de vedação qualitativos e quantitativos de equipamentos de proteção respiratória.

Os testes de vedação qualitativos para os respiradores N95 são vendidos em kits comercias e possuem manuais de instrução que devem ser seguidos estritamente durante o teste. Esses kits seguem as normas padrão de proteção respiratória proposto pela Occupational Safety and Health Administration – OSHA, registro 29 CFR 1910:134, dos órgãos governamentais americanos.

Normalmente, os kits comercias são compostos por um capuz, dois nebulizadores e a substância química teste que pode ter sabor doce ou amargo e será utilizada para detectar falhas na vedação.

Veja o vídeo de instruções do kit da 3M para teste de vedação

Resumidamente, os passos do teste são:

  1. Confirmar que o operador está sem fumar, comer, beber ou mascar chicletes a pelo menos 15 minutos;
  2. O operador deverá colocar o capuz, sem o respirador, para determinar a sua sensibilidade à substância teste;
  3. A substância teste é diluída e preparada de acordo com as orientações do fabricante;
  4. A solução contendo a substância teste será liberada dentro do capuz com o auxílio do nebulizador. Em intervalos de 10 liberações da solução teste pelo nebulizador, pergunta-se ao operador se ele sente o sabor doce ou amargo. Se sim, o teste terá prosseguimento. Caso contrário, os passos de sensibilização são repetidos até que o operador sinta o sabor provocado pela substância teste;
  5. Quando o operador sentir o sabor da substância teste, este removerá o capuz e colocará o respirador de acordo com as instruções recomendadas;
  6. O processo de liberação da substância teste pelo nebulizador será repetido, submetendo o operador a situações diferentes como conversar por 1 minuto ou simular o caminhar durante a liberação da substância teste pelo nebulizador, dentre outras ações, como orientado pelo fabricante;
  7. O operador é aprovado se, com o uso do respirador e durante todos os testes de fala e caminhada, não sentir o sabor da substância teste;
  8. Caso o operador sinta o sabor da substância teste, o teste deverá ser repetido uma segunda vez em um dia diferente. Se mesmo repetindo o teste, o operador ainda sentir o sabor da substância teste, este estará reprovado no teste de vedação.

Pontos importantes do teste de vedação [8]

  1. Respiradores apropriados devem ser selecionados de acordo com a avaliação de risco ao qual o operador será exposto;
  2. O respirador que não se adequada à face do operador, perde seu efeito protetor e o coloca em risco de exposição ao agente nocivo à saúde;
  3. Os testes de vedação são de obrigação do empregador/instituição em que o operador exerce sua função, assim como prover treinamentos para uso dos respiradores;
  4. O empregador deve garantir que o operador está com a saúde apta para a utilização dos respiradores;
  5. O teste de vedação deve ser realizado anualmente;
  6. Caso o operador passe por procedimentos odontológicos de grande porte, cirurgia facial ou tenha ganho de peso significativo, o teste de vedação deve ser realizado novamente;
  7. O teste de vedação não deve ser confundido com o teste de verificação de vedação que é realizado pelo operador antes da rotina de trabalho;
  8. Operadores devem remover maquiagem, barbas e outros pelos faciais, evitando que estes rompam a barreira de vedação do respirador com a face do operador.

Como colocar a N95

Faça o download dos pôsteres para impressão aqui

(I) Tenha um pequeno espelho disponível para facilitar a colocação da máscara;

(II) Certifique-se que suas mãos e antebraços estão higienizados;

(III) Posicione o respirador sobre a palma da mão, com o lado côncavo voltado para cima;

(IV) Posicione o respirador sobre o rosto, na região do nariz e boca e prenda os elásticos atrás da cabeça. Posicione o elástico superior acima das orelhas e o inferior na região da nuca. Os elásticos do respirador não devem estar torcidos ou sobrepostos, pois isso pode comprometer a vedação do respirador;

(V) Pressione a haste metálica (ponte nasal) na região do osso nasal, ajustando o respirador ao rosto, para que vede da melhor forma possível. Utilize ambas as mãos, para garantir que a mesma força seja aplicada em ambos os lados;

(VI) Faça o teste de pressão negativa: cubra o máximo que puder do respirador com as mãos e exale e inspire algumas vezes. Se a colocação estiver correta, a máscara deve movimentar, ceder levemente;

(VII) Avalie possíveis escapes de ar;

(VIII) Caso ainda existam escapes de ar ou o teste de pressão tenha falhado, tente ajustar a máscara novamente e refaça os passos (v) e (vi).

Obs.: Pessoas com cabelo comprido devem prender os fios em forma de coque ou rabo de cavalo, desde que o rabo não fique preso entre o elástico e cabeça. Brincos não devem ser utilizados, pois eles podem enroscar nos elásticos na hora de colocar e retirar a máscara. Pessoas com maquiagem devem fazer a remoção da mesma, bem como aqueles que possuem barba devem se barbear com lâmina de barbear, mantendo o rosto liso.

Lembre-se, o teste de vedação de máscaras é obrigatório!

Como remover a máscara N95

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A desparamentação é um dos procedimentos mais críticos para o profissional de saúde, pois constitui um momento de grande risco de infecção. Todo e qualquer procedimento de desparamentação deve ser realizado devagar, sem pressa, com respirações leves e com concentração. É também o momento que o profissional de saúde está mais cansado, e por isso, toda a atenção deve ser voltada para o procedimento, evitando distrações e conversas paralelas.

(I) Utilize um par de luvas novo (certifique-se que suas mãos e antebraços estão higienizados antes de colocar o novo par). Isso garantirá que você não irá transferir contaminantes para seu cabelo ou sua cabeça na hora de retirar a máscara;

(II) Incline seu corpo levemente para frente;

(III) É importante que você não encoste na frente do respirador;

(IV) Com as luvas novas, pegue somente na parte de traz dos elásticos (a parte que esteve coberta pela touca). É importante que você NÃO pegue nas laterais dos elásticos, próximo ao respirador, pois essas partes podem estar contaminadas;

(V) Retire primeiramente o elástico da nuca e em seguida o elástico da cabeça. Exerça uma tração nos elásticos para que a máscara não pule do rosto;

(VI) Remova a máscara pelos elásticos e descarte imediatamente no lixo infectante;

(VII) Higienize suas mãos com água e sabão ou álcool gel, imediatamente após esse procedimento.

Uso estendido e reutilização da máscara N95

A máscara N95 mais comumente utilizada (Figura 1 acima) é um item descartável. Porém, em situações de pandemia, a ANVISA e o Center for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA emitiram pareceres técnicos a respeito da implementação de políticas de reutilização e uso estendido que, de acordo com estes órgãos, podem ser estabelecidas pelos profissionais que gerenciam o programa respiratório de cada instituição, em consulta com órgãos oficiais de saúde.  Algumas informações sobre estas políticas podem ser encontradas nos links abaixo:

Anvisa – Norma Técnica 05/2020

CDC – Recommended guidance for extended use and limited reuse of N95 filtering facepiece respirator

3M –Reuso de Respiradores Descartáveis

É importante que pesquisas continuem sendo desenvolvidas a respeito da manutenção da funcionalidade e mitigação de risco desses respiradores em políticas de uso estendido e reutilização.

Em casos de escassez de EPIs, é preferível que o uso do respirador seja mais prolongado do que ele seja reutilizado.

Por definição, o uso estendido de respiradores N95 consiste na utilização do mesmo respirador por repetidos encontros de contato próximo com vários pacientes, sem trocar o respirador entre esses encontros [1].

É imprescindível que a instituição utilize os controles hierárquicos para eliminar exposições, alterar controles de engenharia e administrativos e priorizar o uso de EPIs baseado no risco biológico, para que exista utilização racional dos mesmos, principalmente em situações de epidemias de infecções respiratórias.

Independente da política de uso, é primordial que os profissionais de saúde conheçam as limitações desses EPIs, que evitem tocar na máscara e pratiquem a frequente higienização das mãos. Se utilizado de forma incorreta, a máscara N95 pode se tornar grande fonte de infecção, pois partículas contaminam a superfície externa e o profissional de saúde que não higieniza as mãos e toca na máscara com frequência acaba levando o agente infeccioso às mucosas.

 

Referências

  1. Center for Disease Control and Prevention Respirator Trusted-Source Information Available online: https://www.cdc.gov/niosh/npptl/topics/respirators/disp_part/respsource3healthcare.html#e.
  2. OSHA; United States Department of Labor Transcript for the OSHA Training Video Entitled Respirator Fit Testing Available online: https://www.osha.gov/video/respiratory_protection/fittesting_transcript.html.
  3. Torloni, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. Programa de proteção respiratória – recomendações e uso de respiradores; 2002.
  4. Center for Disease Control and Prevention Pandemic planning: Recommended Guidance for Extended Use and Limited Reuse of N95 Filtering Facepiece Respirators in Healthcare Settings Available online: https://www.cdc.gov/niosh/topics/hcwcontrols/recommendedguidanceextuse.html#ref10.
  5. Center for Disease Control and Prevention Questions and Answers Regarding Respiratory Protection For Preventing 2009 H1N1 Influenza Among Healthcare Personnel;
  6. APIC emergency preparedness committee APIC Position Paper: Extending the Use and / or Reusing Respiratory Protection in Healthcare Settings During Disasters; 1899;
  7. Tornoli, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA: RECOMENDAÇÕES SELEÇÃO E USO DE RESPIRADORES; São Paulo, 2002;
  8. OSHA; United States Department of Labor Transcript for the OSHA Training Video Entitled Respirator Fit Testing Available online: https://www.osha.gov/video/respiratory_protection/fittesting_transcript.html.
  9. Gregorcic, A.; Vieira, A.V.; Paz, C.R.P.; Pinto, D.M.; Souza, D.; Bergsten, E.; Pereira, F.V.; Marcomini, L.; Vicente, M.G.; Verotti, M.P.; et al. Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde; 2006;
  10. Torloni, M.; Vieira, A.V.; Aquino, J.D. de; Algranti, E. Programa de proteção respiratória – recomendações e uso de respiradores; 2002.